segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A praça dos abacaxis gigantes

Extremo prazer: Frio, bunda na grama, amigos, chimarrão, L&M e música ao vivo.

Vi essa foto e viajei no tempo.
Foi batida em 2005 ou 2006. E toda vez que vejo-a lembro de um sentimento que senti lá naquele dia - O sentimento de realização de um sonho antigo.
E nessas horas me vem, o fato de que ser, ou estar feliz, não requer coisas grandeosas. Que ter um grande sonho, não significa sonhar com uma coisa grande. Que um grande sonho pode ser uma coisa bem simples.
Voltando no tempo:
Quando guri, sonhava em ser tocador de violão. Achava o máximo dos máximos, aquele cara que sentava na grama e tocava para uma roda de amigos.
Quanto eu tinha uns 10 anos de idade, conheci uma galera no colégio que tocava violão, me lembro que Raimundos era "A banda", todo mundo curtia. E eu babava a cena da gurizada com dois ou três violões tocado juntos. Levaria uns dois anos para que eu começasse aprender a tocar. E lógico que esse processo é lento e leva tempo até você se sentir um tocador de fato. Ainda mais quando não se tem professor.
Uma das cenas que marcam este sonho, acontece no Parque Marinha do Brasil, por volta de 2003 ou 2004. Eu e um amigo, cada um com seu violão, um repertório cheio de tóins, gruins e féiiisnhdjf... E um desejo imenso de fazer amigos através daqueles instrumentos.
Estávamos sentados em baixo de um pé de João Bolão, quando apareceu Beto Abreu, baixista da banda Acústicos e Valvulados na época, e pediu pra gente tocar um som. Sabendo de quem se tratava, apenas balbuciamos que daqueles instrumentos não éramos capazes de tira som e fazer música. Lembro dele responder "Ainda não".
De fato, era uma questão de tempo.
Daí vem aquele papo de "não desista dos seus sonhos".
Aprender a tocar violão foi uma tarefa árdua, que levou bastante tempo e exigiu muita dedicação, mas eis que um dia eu aprendi. Não foi fácil, e como custou até eu poder dizer de fato que sabia tocar. O fato nem era dizer, e sim tocar efetivamente.
Mas como esse processo de aprendizagem é demorado, (e vale lembrar que este processo não finda) demorou certo tempo pra cair a fixa de que um sonho de infância tinha sido realizado.
Não me resta dúvida alguma, de que aprender a tocar violão mudou minha vida. Dos maiores amigos que fiz até hoje, dá pra contar nos dedos de uma mão aqueles em que a música não esteja intimamente ligada. Muitos desconhecidos vieram a ser grandes amigos, começando pela frase "Toca um som aí!"
Nessa foto, estou prestes a passar o violão para o Kiboa, também conhecido por Jonatam Francisco, ou Chico, ou... Enfim. O caro amigo KiBoa, é um exemplo desse amigos que fiz por conta deste instrumento que tanto gosto. Conheci esse camarada num posto de gasolina em Cachoeira do Sul, onde ele regularmente sentava em sacos de lenha e tocava o que o ouvinte desejasse.
Mas tarde viria a montar com ele, a Fernanda (esquerda do Kiboa) e o Pinho uma banda de bar, chamada Cordas Velhas.
No dia em que foi batida essa foto, estávamos em uma praça com várias Palmeiras, tipo aquelas que dão Butiá. A praça foi carinhosamente apelidada de Praça dos abacaxis gigantes.

As tais palmeiras.

Neste dia, me veio à mente, que eu tinha realizado um grande sonho. O sonho de sentar na grama e tocar violão para os amigos. E quem sabe, alimentar um sonho para aqueles guris que demonstravam seu encanto pela música. Ou você acha comum duas crianças sentadas quietas numa praça enorme e cheia de aventuras?
Este É El Kabong. Um objeto, que de tanto apreço batizei. E muitas vezes chamo-o de amigo.

Enfim... Os sonhos não são medidos pelo que representam aos outros, e sim aquele que sonha, e que os conquista. Pra você eu tocar ou não instrumentos musicais talvez não faça a mínima diferença.

Mas a mim faz. E faz muito bem.

Um comentário:

  1. Tocar um instrumento foi o que te manteve conectado com a terra enquanto teu espírito voava solto por aí em busca de sonhos. Tu realizaste não só o teu sonho, mas o meu, que também queria muito aprender a tocar violão e juntar gente em roda de mim, mas a mim faltou coragem para enfrentar os desafios e aqueles que de tão contra, me cortaram as asas e me impediram de voar.

    Beijos

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