
Este É El Kabong. Um objeto, que de tanto apreço batizei. E muitas vezes chamo-o de amigo.
Este É El Kabong. Um objeto, que de tanto apreço batizei. E muitas vezes chamo-o de amigo. A Infinita sinfonia dialética, está presente também, na música popular social, e na música popular comercial.
A música comercial é produzida com o intuito de movimentar bons fundos financeiros, e utiliza os meios de comunicação em massa para entreter milhões de pessoas e render boas verbas. Lembre-se, que a música e a sociedade, interagem de forma recíproca desde os tempos mais primitivos. É uma, espelho da outra.
Não há porque pensar que a música não sofreria as mutações trazidas pelo modo de produção capitalista. A música é mercadoria, e pode ser de grande valia no mercado.
Seria o lado artístico do capitalismo, ou o Capitalismo da arte?
A mercadoria música, abrange praticamente todos os gêneros musicais, e todas as camadas musicais da sociedade. A música de valor, é aquela que abrange um maior tipo de produto, aquela que vincula canção à mercadorias. A indústria da música sofre o mesmo processo de qualquer outra empresa capitalista. Quanto maior a exposição, maior é procura pelos efêmeros consumíveis relacionados. Quanto mais lucro, maior publicidade, maior consumo, maior apelo público e por aí vai...
Música não vende apenas álbuns e shows de artistas. Vende revista, festa, bebida, camiseta. Vende boi, vende terra, vende voto, vende tv, jornal, vende até terreno no céu.
“A atual utilização da música, com função propagandística é decorrência do processo de transformação de música em mercadoria e do seu conseqüente despojamento de valores intrínsecos” (ADORNO, 1982).
A música comercial não se trata exatamente da música de publicidade. A música está na mídia, e é usada com base publicitária. Toda música usada em publicidade, obviamente é comercial, porém, nem toda música comercial é usada em publicidade. Como a música é de fácil memorização é utilizada amplamente em campanhas publicitárias, além disso, pode ser uma forma aproximar um produto à realidade do consumidor, que apesar de não estar dentro do público que consome determinado produto, consome determinado tipo de música, e a música traz esse elo de ligação entre o produto e o consumidor.
É o caso da indústria e do mercado de roupas, para se ficar apenas com um exemplo; uma vez que o cantor de sucesso também assume uma função publicitária ante o grande público. Por sua vez, os astros dos hits tendem a assumir formas de representação, cuja dimensão cênica só enfatiza e assume a força da interpretação a que a canção é submetida. (Corrêa, 1989)
Além disso ela determina estereótipos utilizados pelo grupos sociais pra interagirem sobre si e para destacarem-se de outros grupos. A música pode servir de rotulo, e usado pelo individuo para identificar suas preferências sociais. Pode ser o escudo social do individuo, ou pode ser seu reflexo social.
O fato de a música ser objeto de consumo, não a desqualifica como arte. O fato é, que essa música que denominamos de comercial atinge a massas e influencia-as fortemente, alienando-as ou não.
Dentro da música comercial há a música popular social, que também pode ser comercializada, mas seu objetivo é outro. O que chamo de música social é aquela produzida com o intuito ideológico, transformador, informador, político e mobilizador. A música que junta milhões de pessoas à uma luta.
No inicio da década de 1960, no Brasil, emissoras de a tevê (principalmente a TV Record, de São Paulo) organizam grandes festivais de música e juntam grandes platéias. Nestes festivais, havia certos Movimentos musicais, como a Bossa Nova e a Jovem Guarda, que dividiam espaço com artistas vinculados a movimentos estudantis que apresentavam músicas de cunho político. O período era de grande tensão política. Em 1964 inicia o período conhecido como “Os anos de chumbo” — A ditadura militar no Brasil (1964-1985). O fim da democracia traz consigo o aumento de manifestações artísticas de cunho social. Inúmeros artistas envoltos em movimentos sociais espalham em músicas suas ideologias e contribuem na informação e mobilização social contra a ditadura militar.
Em 67 dentro destes festivais surge o movimento conhecido como Tropicália, que surge de uma espécie de movimento contracultural. Esse movimento, tem como grande diferencial, a produção musical mais condizente com a realidade social do país, e a oposição ao regime.
Em 68 com a instituição do A. I. nº
Aí está a canção social, a música coletiva que é uma das ferramentas de mobilização social junto às massas.

Professores podem ter o mesmo reajuste salarial dos senadores.
Os senadores Cristovam Buarque e Pedro Simon apresentaram hoje (16/12/2010), projeto de lei estendendo o mesmo reajuste salarial concedido aos senadores para o Piso Salarial Profissional Nacional para os professores da educação básica das escolas públicas brasileiras.
Com o reajuste de 61,78% do aumento dos senadores, o piso salarial dos professores passará de 1.024,00 para R$ 1.656,62, valor inferior ao valor pago aos parlamentares a cada mês: R$ 26.723,13.
Para o senador Cristovam Buarque, a desigualdade salarial é substancial, talvez a maior em todo o mundo, com conseqüências desastrosas para o futuro do Brasil.
Na opinião do senador, a aprovação do reajuste de 61,78% para os professores da educação básica permitirá, ao Senado, uma demonstração mínima de interesse com a educação das nossas crianças e a própria credibilidade da Casa.
Pelo exposto os signatários solicitam a aprovação do referido Projeto de Lei.
Os signatários
Sempre digo que as obras de um artista é, de forma abstrata ou não, um autoretrato.
Sempre é.
Dia desses fiz um análise de minhas composições, e me surpreendi com algumas conclusões.
Lembro do amigo e compositor Christofer Perin, que antes de tocar suas canções, não se furta de explicá-las. Não costumo explicar dos porquês, mas às vezes falo de algumas motivações. Engraçado, é que muito do que componho, não faz tanto sentido na hora. Só descubro o que realmente gostaria de expressar algum tempo depois. O processo de maturação da canção traz consigo algumas explicações sobre ela. Daí penso nas aulas de literatura, onde não raro, você deve interpretar o artista. Como se pode interpretar o artista em 30 minutos, se o artista demorou anos para interpretar a própria arte?
Há canções onde fica tudo muito claro, porém há outras em que seus significados tornam-se uma grande surpresa.
Também não vou aqui ficar explicando os porquês das minhas músicas, mas quero comentar uma em especial.
Há poucas canções que tenham sido compostas para pessoas, algumas para algum tipo de relação com alguém, ou por conta de determinada postura de alguém, mas poucas foram compostas pensando em alguém especial. Salvo algumas exceções como “Ao amigo poeta” para o caro amigo e parceiro de composições Francisco e “Alice” para a amiga de mesmo nome, que são canções de amizade que foram feitas para dar de presente.
“Do Vulto” que foi resultante de uma longa e triste conversa sobre violência e desesperança com minha amiga Camila Laguno, e depois ganhou esse nome pelo apreço do amigo Jocemar, (vulgo Vulto) pela canção. Ou “Alvoroço” que compus pensando em ouvi-la na voz da Camila Cartana, e incrível como ficou boa a canção em sua voz.
Mas nada disso é surpresa até então. O que realmente me causou estranheza foi a “Senhora do tempo e da razão”. E esta sim, merece explicações.
Essa música surge de um encontro muito cotidiano. Lembro claro dessa época, e lembro-me de algumas pirações que me fazem contorcer de tanto rir. Era costume encontrar os amigos no fim de tarde para um chimarrão bagualudo. O ponto de encontro era as escadas da Biblioteca Pública Municipal, em Cachoeira do Sul, e evidentemente que o violão era o convidado mais importante. Não era possível tomar o “chimas” da tardinha sem o violão. Talvez sem o mate, mas sem o violão nem pensar. Nessa tarde, eu e Francisco falávamos sobre coisas relevantes da época, como bandas que revolucionaram nossas vidas e sobre nossas desventuras com o sexo oposto. Após um tempo aparece um dupla de Diego’s , o Frodo e o Alemão, o segundo munido de alegria, portando o nosso amável instrumento de seis cordas. Era o violão do Igor, que mais parecia um brinquedinho de criança de tão pequeno. E entre uma canção e outra, começa a surgir a primeira canção que Francisco e eu compomos juntos. Da calçada nasce o verso “Senhora do tempo e da razão, dona do céu, dona do mar, que pelo tempo voa”.
Após chegar em casa, terminei a canção, que por hora era só uma obra de ficção.
Durante muito tempo, esse foi o significado da canção – Uma obra de ficção, que possivelmente expressava nossos anseios por um amor ou algo do tipo.
Passado mais de quatro anos deste evento cotidiano, conheci em um momento bem especial, na Ilha da Magia, a Letícia, minha senhora do tempo e da razão. Tanto tempo depois de nascer, a canção se fazia valer em essência. Deixava de ser apenas uma obra de ficção para ter um sentido prático, digamos assim.
Tanto tempo depois de ter imaginado-a, conheci a senhora. Nos conhecemos, nos apaixonamos, vivemos nossa paixão, terminamos a relação, nos tornamos amigos e a canção continua aí, agora fazendo muito sentido e trazendo boas lembranças.
Imagine você, se dando conta de que compôs uma obra, pensando em alguém que viria a conhecer mais de quatro anos depois!
E depois, querem interpretar o artista em 15 minutos em uma aula de literatura.
Falo muito da reciprocidade entre a arte e o ambiente, entre o individuo e o meio. Essa reciprocidade é inegável, assim como é inegável também, o papel da arte nas transformações das sociedades. Pelo mesmo motivo que podemos dizer que o homem é um agente de transformação, podemos dizer que a música é também um agente transformador. A música tem poder de ação.
Durante os tempos, ela se mostra uma ferramenta de inclusão e de mobilização social. Em tempos turbulentos, artistas se dedicaram a compor músicas de protestos, músicas que pudessem não apenas descrever a dor das desigualdades sentidas pelo artista, como também pudessem mobilizar pessoas a sentirem essas mesmas dores. Compunham músicas que pudessem instigar a luta das massas, músicas capazes de fazer os ouvintes lutar pelos mesmos ideais de seus compositores.
A música é expressão. Do mesmo modo como pode expressar o amor individual de um certo apaixonado, ela pode expressar a revolta coletiva. A música impõe sua atitude. A música não é só erudita, para ser estudada e desvendada. Não e só folclórica, ou religiosa, para invocar divindades e celebrar culturas. A música é comércio, é modismo. Música é política, é representação de atitude coletiva. É distinção de classes.
Quando há a identificação social, presente na música, por parte do ouvinte, a música e sua mensagem se tornam parte integrante da coletânea de idéias e de ideologias deste indivíduo.
Um dos grandes poderes da música e fazer poesia e harmoniosas melodias andarem juntas de forma suave ao ouvidos de fino trato, ao mesmo tempo em que sua mensagem é dura e revoltada. Da mesma forma, pode-se expressar uma imensa agressividade, e forte ação nos sons, e sua mensagem vir recheada de ideologias de consumo. A música pode ser maquiada, abstrata, subliminar. A música tem a cara, a cor e o sabor que o ouvinte a der.
A música influencia parte da sociedade previamente disposta a sua mensagem. E por esse motivo, que a música ganhou tanto espaço nas sociedades humanas. Seu imenso poder de difusão e absorção, faz dela um elemento social tão ativo, que é impossível imaginar um grupo social sem música.