terça-feira, 1 de junho de 2010

Ônibus


Ora vejam só.
Pego ônibus todos os dias após às 18 horas, na Av. Oswaldo Aranha, com destino à Av. Manoel Elias. E vejo todos os dias o que a EPTC se recusa exergar.
Todos os ônibus com destino à Av. Manoel Elias neste horário estão super lotados já na Av. Oswaldo Aranha. Ou seja, nesse trajeto entre o centro da capital e a Av. Oswaldo Aranha, de pouco mais de 2 km, já é suficiente para lotar esses ônibus. Considerando que até a Manoel Elias, que é meu destino, há ainda mais de 11 km, acredito que há algo de errado nesse número de linhas e/ou carros.

O usuário do transporte público de Porto Alegre paga caro por esse serviço, e se considerarmos que somos muito mal transportados, que viajamos em ônibus megalotados, que as condições dos abrigos e calçadas dos pontos de ônibus são muito ruins. Veremos que pagamos MUITO caro por um serviço mal prestato.

Todos os dias enquanto estou aguardando um bendito ônibus lotado para ir até a Av. Manoel Elias, que fica à mais de 10km do centro da capital, vejo passar 2 as vezes até 3 ônibus de linhas que percorrem um trajeto muito menor, e que transportam muito menos passageiros. Então me pergunto: Porque enquanto eu espero 1 ônibus de 4, QUATRO linhas diferentes, que sem sombra de dúvida estarão, já na terceira parada após sua saída do terminal central, com todos os assentos ocupados e um monte de passageiros em pé se apertando, passam 2 ou 3 ônibus de uma mesma linha, de menor atendimento vazios? Porque? Não dá para entender.

Acredito que os responsáveis por fazer essas tabelas não andam de ônibus, mas essas pessoas só precisam de um pouco de observação para perceber que é necessário fazer melhorias nas tabelas.

sábado, 29 de maio de 2010

Quem não pergunta não aprende

Certo dia Ricardo levou seu filho, Pedro, de quatro anos, para um passeio pela velha estrada de chão batido que levava até um paradisíaco vale. A ideia de Ricardo era estreitar a relação de pai e filho.
Na andança, passam por um pequeno açude e pedro pergunta:
- Pai, porque o peixe não morre afogado?
- Hum... Não sei meu filho - Responde o pai coçando o queixo.
A caminhada continua e logo Pedrinho volta à perguntar:
- Pai, porque a lua fica lá no céu, muda de jeito, e nunca cai aqui no chão?
- A lua não cai porque... Não sei meu filho - Responde em tom amável.
Seguiam mudos, o silêncio só era quebrado quando Pedro fazia alguma pergunta.
- Pai? Você sabe porque que o avião não é feito do mesmo material da caixa preta?
- Não sei filho.
- E... Porque a... Pai? Estou te encomodando com tantas perguntas?
- Claro que não Pedro, se você não perguntar, como é que você vai aprender.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Professores! 14º, 15º e 16º salários



Por Daniel Marques Giandoso




Em recente entrevista ao SPTV da Rede Globo, o governador José Serra disse que os professores receberão 14º, 15º e 16º salários. Aí eu pensei em quais seriam as condições para tão benevolente medida.



Condições para receber o 14º salário


Não usar e nem sequer pensar nas seguintes palavras e frases:

Greve

HTPC serve pra quê?

Quando sai o bônus?

Esse mês tem feriado?

A culpa é do sistema!



Condições para receber o 15º salário


Não abonar

Não dar faltas justificadas

Não faltar para ir ao médico, muito menos no Servidor (entende-se: você, seus filhos, esposa ou esposo, pai, mãe etc... não podem ficar doentes! O melhor remédio é a prevenção!)

Prestar trabalho voluntário nos fins de semana na escola. Afinal, o professor precisa se interagir com a comunidade!

Garantir que todos os alunos leiam todas as questões do Saresp antes de respondê-las. Todos devem atingir 50% de acerto! (Pô, já é querer demais!)



Condições para receber 16º salário


Todos os alunos devem atingir média final 8,0. Aqueles que não sabem ler, escrever e contar podem ficar com 7,5.
...
Esse texto foi retirado do blog carbonocatorze.blogspot.com, escrito por Daniel Giandoso, e publicado dia 22 de dezembro de 2007. Como Giandoso mesmo diz: Está morno mais serve.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

É Pink Freud, Freud Flintstone





Já nos tempos de Freud Flintstone, o homem penava para entender o comportamento humano. Os anos passam vagarosamente no mesmo compasso de sempre, e os questionamentos sobre o indivíduo, e sociedade permanecem, não os mesmos, mas quase os mesmos quase sempre.






"Os tempos são outros, os erros os mesmos."




Uns dedicaram suas vidas para tentar entender os "porquês" dos homens em relação ao seu meio, sua história. Outros passam anos estudando para tentar entender os homens analisando seu interior, seu ego, seu instinto. Outros porém, nunca quiseram entender nada.
Filósofos, psicólogos, religiosos, sociólogos, psicanalistas, biólogos, historiadores, neurocinetistas, jogadores de futebol, pensadores de bar... Todos com seus estudos, questionamentos, teorias...
Existem tantos estudos, parâmetros, teses, métodos, tecnologias, religiões, pesquisas...
Carbono 14, raio laser, raio X, rayovac...
Fibra óptica, iphone, nanochip, transmissão via satélite, liberdade vigiada...
E lógico. Nem Freud explica!
Já passam de 2000 anos que Cristo não faz uma visitinha para esclarecimentos, e as dúvidas se multiplicam proporcionalmente ao número de novas ciências que servem para tentar explicá-las.
Enquanto isso...
O Sarney continua no senado.
Os estudos ufológicos crescem, mesmo que nunca na história da humanidade, alguém tenha encontrado alguma prova, ou até mesmo, algum indício mais coerente do que montagens e criações em computadores de que há vida extra terrestre. Inclusive a maiorias dos ufólogos dedicam as suas vidas a descontruir falsas provas disso.
Até hoje não se tem certeza de onde viemos. Ainda queremos entender quem somos, e existem umas 2.348 teorias para saber aonde vamos.
Os economistas fazem força para explicar a crise, e os cientistas, como o cérebro funciona.
Se disute com a vida começou, se a opção sexual é definida pela genética, ou quem veio primeiro, se foi o ovo, ou a galinha.
asa



Muitos ainda tentam desvendar essas questões, outros montam um negócio, vão tocar um instrumento musical, se mudam para uma tribo indígena ou vão para frente do computador escrever besteiras.

SEXA - Luis Fernando Veríssimo

- Pai...
- Hmmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino...
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
- Não devia ser "a sexa"?
- Não.
- Por que não?
- Porque não! Desculpe, porque não. "Sexo" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- Sexo mesmo. Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É. Quer dizer... Olha aqui: tem sexo masculino e o sexo feminino, certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
- A palavra é masculina.
- Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculino seria "o pal..."
- Chega! Vai brincar, vai...
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri...
- Por quê?
- Ele só pensa em gramática...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Dia das Mães

Domingo é Dia das Mães!
E você já comprou o presente de mama?
E o da vó, da mulher, da sogra?

Ora, ora. Eu não comprei nada, e peço perdão a mamãe, vó... Mas não hei de comprar.
Não sou um filho desnaturado. Nem um rapaz com sangue de barata, muito menos desalmado. Irei ligar, dizer que eu a amo, agradecer por tudo que ela fez e tem feito por mim, e etc também...
Não sou contra datas comemorativas, pelo contrário, gosto muito de datas comemorativas, pelo fato de que simplesmente e infelizmente não dizemos todos os dias para as pessoas que amamos, que às amamos. E a gente aproveita essas datas para isso.

Todo mundo concorda, que isso deveria ser um costume de todos, coisa de rotina. Mas na prática, é bem diferente.

Será que alguém se cansaria de saber que é um ser querido, amado?
Talvez as pessoas se tornariam arrogantes, por que sabem que são especial para alguém?
Você conhece pessoas que foram prejudicadas por saberem que eram amadas?
Ou, quem sabe, não temos esse costume porque banalizaria o afeto que temos que guardar para a data comemorativa?

Lembro de uma frase de Sheakespeare que em essência diz que devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que as vejamos.
Mas indo um pouco além disso, acredito que a motivação não deve ser somente porque talvez não as vejamos novamente, não que isso seja pouco, mas não pode ser, assim, dizer só para expressar um sentimento nobre, que há em mim, e que há em você, e deve ser dito simplesmente pelo fato de existir, e que em hipótese alguma fará mal à alguém?


Nessas datas comemorativas, normalmente, além do presente, sentimo-nos na obrigação de revelar nossos sentimentos, tal qua haviamos feito no ultimo natal, aniversário... Pra não dizer que ficamos na obrigação, digo então, que somo motivados, incentivados a fazer os tais comentários.


Ok, algumas pessoas tem certa dificuldade de expressar seus sentimentos, e outras acham que não é importante falar que ama sua mãe qualquer dia. E "fazê" o quê?

Quanto a dar presentes, ouço muito o tal papo, de que isso é apenas uma data criada pelo mundo capitalista, para aumentar o consumo e etc. Mas já que tem um dia para as homenagearmos nossas queridas mamães, o que há de errado em comprar uma lembrancinha para ela?

Mas isso não quer dizer que você tenha que comprar.
Dar presente sempre é legal, mas você há de concordar comigo, que é muito mais interessante se:


Hoje é somente um belo dia de sol, no calendário a data de hoje não está em vermelho, é simplesmente o dia do pão de queijo, (segundo a Folha de de São Sepé, o maior jornal da cidade) e ninguém comemora o dia do pão de queijo. Alguém chega em sua casa, com aquele rosto de guri que fez arte, e lhe estende a mão com um singelo presente. Especial. Você pensa com estranheza: Nem é meu aniversário. Essa pessoa lhe entrega e diz: Passei na frente da loja, e quando avistei, lembrei de você. E você olha para o presente e pensa: É a minha cara.


Poderia ser somente um pano de prato, ou anel de camelô, mas teria com certeza um gosto especial.

Isso não é demais?

Quantas vezes passamos por esse momento na vida?
Não quero parecer pessimista, não é a minha cara, mas isso não é coisa comum. Mas deveria.

Mas depois de toda essa conversa, você reflete um pouco e se pergunta: Tá, tudo bem, entendi, mas qual é o motivo pelo qual esse guri não comprou o presente pra mãe?
Simples. Mamãe mora longe e não poderei entregar.



Mãezinha querida, aqui está o seu bebê!

Nada mudou! Você continua tendo a mesma importância de sempre. E como todas as mães afirmam: Dia das Mães é todo dia!

E já que há vários nessa ninhada, aproveite.

sábado, 24 de abril de 2010

Arrogância abstrata

Tenho uma amiga que me dizia com certa frequência que eu tinha tudo para ser o cara mais arrogante da face da terra. Dizia ela, que eu tinha dois dos maiores pré-requisitos para isso, o primeiro era ser leonino, e o outro era estudar história.

Imagine você: Leonino historiador. O cúmulo da arrogância.


Pra ser bem sincero, não me incomodo nem um pouco com esse tipo de comentário, tirando a parte do leonino, acho que tem bastante fundamento. Não que eu esteja defendendo os leoninos, mas não acredito que personalidade possa ser determinado pela data de nascimento. Então, o fato de um cara se achar o tal, não tem nada a ver com ele, ser ou não ser, de terminado signo.


Mas em relação a estudar história...

Dos historiadores que eu conheço, e entre meus pares, essa mania de se achar a cerveja mais gelada da geladeira é bem comum.
A queridíssima Dra. em história Ana Inez Klein comentou certa vez:
- Nós historiadores somos sempre os chatos da galera, sabemos de tudo, tomamos posição sobre quaisquer tema, na mesa de bar queremos discutir nossas teses, somos no geral, do contra. Somos uns malas!

Sua constatação fez com que eu fizesse uma breve reflexão sobre o tema.

Partimos do princípio que é impossível compreender o presente e projetar o futuro, sem ter o conhecimento do passado. Como o objeto de estudo do historiador é esse tal de passado, concluímos que este, teoricamente, tem uma boa compreensão do presente. Ou simplesmente, acredita que tem. E fica simples assim.
O fato do indivíduo ter passado um boa parte do seu tempo estudando os que outros fizeram à algum tempo, dá a ele um crédito, vários créditos eu diria. E aí entra a minha ideia do clips (ler o texto: Clips). Mais isso não quer dizer que historiadores são os donos da verdade, até porque a história não passa de interpretações e suposições sobre o passado. E no fundo a verdade não existe. Ou melhor, a verdade até existe, porém ninguém tem certeza sobre ela.

Em vários debates na hora do amado cafézinho, bati na mesma tecla: O cara que tem um nível considerável de conhecimento em determinado assunto, tem uma tendência de ser um cara chato, arrogante. Ele detém o conhecimento de algo, e se acha mais importante por isso. Isso não só entre historiadores. E isso também não quer dizer, que todo sábio é prepotente e arrogante.


Mas o que me emputesse mesmo, é a tal de arrogância abstrata. É esse tipo, que usa de um título doutor, para impor suas ideias, não aceitar opiniões contrárias, lecionar de forma tradicional e não admitir nada disso. Acredita que sabe mais que você, porque tem um título na parede de casa. E não vou ser bobo a ponto de dizer que ele não sabe mais que eu em determinados assuntos, afinal, ele estudou muito mais que eu, já refletiu muito sobre muita coisa, embasado em N coisas. Merece respeito por isso, teve que se esforçar para ter esse título. Tem seus méritos. Porém, não posso admitir que ele seja detentor da única hipótese "verdadeira".

Esse tal arrogante abstrato, é aquele detentor do conhecimento, fala e obriga que você escute, nunca está para brincadeira, e também não está muito atento para o que você pensa, a menos que ele possa ser contrário a sua opinião, (provavelmente vai ser) aí então, ele vai prestar muita atenção no que você diz, para depois ir contra.

Esse arrogante abstrato, é criado na mesma família que o Humilde com "H" maiúsculo e dourado, e estou com medo de saber que é o chefe dessa família.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Saudosismo hereditário

Nada é tão certo pra mim, quanto o fato de todos nós sermos o resultado de nossas vivências. É simples, não há nada de complexo nisso. Se eu tivesse nascido em Papua Nova Guiné não pensaria em tudo que penso hoje. Básico. Somos não só o que comemos mas principalmente o que vivemos.
E o que dizer sobre aquilo que vivemos, e que, como tudo na vida, passou, deixou suas marcas e ficou para se lembrar?
Tanta gente, tantos lugares, sentimentos...
Passado. Lembrança. Saudade.
Há algum tempo, descobri-me um imenso saudosista. Um saudosista tão saudosista, que me flagrei sentindo saudades de coisas quem não vivi. É o cúmulo da saudade. Mas isso não vem ao caso agora.
O fato é, que vejo essa saudade que sinto, como um sentimento bom. E é tão lógico, se sentimos saudade é por que foi bom, não há como sentir falta de algo que não nos faz falta.
É por isso que sentimos saudade, porque nos faz falta, se nos faz falta é por que foi bom, por que tal companhia é boa, ou foi boa, enfim...
Veja como é bom passear por essas ruas com ar de infância, sentir aquele cheiro que lembra "ela", ouvir aquela canção que faz você lembrar de um tempo, abrir aquela gaveta cheia de papés velhos, fotografias, cheiro de guardado...
Melhor morrer de saudade do que não ter saudade alguma pra sentir.
Sem falar no melhor da saudade, a hora de acabar com ela. Nada melhor do que matar as saudades. E quando é impossível matar plenamente a saudade, de algo ou alguém, a gente descobre alguma coisa, alguma artimanha para que de alguma forma a gente consiga matar a saudade. E é tão bom... Ahhhm

O meu saudosismo é hereditário, ta no sangue. E, aí está o tal sentimento saudosista de coisas que não vivi, mas que gostaria imensamente de ter vivido para poder sentir saudades. Sinto muito, não por não ter do que sentir saudades, por que isso tenho de sobra, mas sinto por ter deixado de viver tantas coisas boas, para enfim, ter saudades depois. A saudade que eu sinto hoje é só um indicativo de que coisas boas passaram por mim no passado.
Porque saudade, é pra sentar num cantinho e curti-la, com olhar ao longe, e um sorrisinho no canto do rosto.
Com a saudade, vem o sentimento de melancolia, nostalgia... Mas estes também não são de todo o ruim...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Outono
















Ah! O outono!

Onde sentimos um bucólico ar de novidade que bate na janela nas frias manhãs.
Uma doce brisa, que vem de encontro ao rosto, suavisando as tardes de abril.
É quando o chão fica repleto de folhas, que embelezam as ruas e enlouquecem as donas de casa.
E pela manhã, você sofre para sair da cama e encarar o friozinho, o orvalho deixa a sensação de que recém parou de chover.
Ao meio dia, você se encontra como um cabide humano, com blusão, moleton, casaco, touca, tudo pendurado. O calor toma conta e você pensa: - Que tempo maluco!
Mas todos os dias é a mesma coisa.
E você volta e meia deixa umas peças de roupa por aí, e quando cai a noite, você se vê tremendo de frio, depois de suar embaixo de um calor de quase 30Cº.

Ah o outono!
Que nos dá o prazer de ver as mulheres passeando pela rua da praia, muito charmosas de botas, sobretudos, cachecóis...

Ah o outono!
Que deixa o café mais saboroso.
Que faz do ato de tomar um mate numa tarde de sol, um ritual de energização.
Que faz do rock um milonga.
Que faz de um Beijo uma cama pra alma.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Arrependimento Mata*

Hoje fui tomado por um tal de arrependimento. Aliás, estou morrendo por ele. Quero dizer, poderia estar morrendo por ele. Porque ele não mata, ou , pelo menos ainda não.

Já não sei se isso é bom, ou se é ruim, visto que se eu morresse por conta desse tal sentimento, que tanto machuca, seria um alívio. Cessaria imediatamente esse sentimento de culpa, e aliviaria minha alma deste inferno que é estar amargamente arrependido.
Imagine você quão bom seria se instantaniamente nosso arrependimento fosse embora, partindo exatamente no momento em que sentimos. Sentimos e... Ráaaa! Deixamos de existir.
Isso parece tentador - Morrer de arrependimento.
Dependendo do ponto de vista é até bonito, heróico.
- Morreu porque sentiu verdadeiro arrependimento por seu erro, e agora descança em paz...
Por outro lado, ao mesmo tempo que implicaria conforto, morrer de arrependimento detonaria com a grande lição que a vida nos passa nesses momentos.

Ora vejam só.

Agora me passa por essa minha cabeça cheia de cabelos, que o arrependimento serve não apenas para nos torturar, mas sim, para nos passar os maiores dos aprendizados. Fazê-nos aprender através da dor, e não que eu seja masoquista, mas a dor é boa pra gente guardar na memória aquilo que se deve fazer, ou, aquilo que jamais se deve fazer.

E não me venha com esse papo, de que não me arrependo de nada que tenha feito, ou, só me arrependo do que não fiz, porque isso caro leitor, não existe. É impossível não haver nada com que a gente se arrependa amargamente, e não é muito raro, haver coisas das quais a gente se arrepende pelo resto da vida.

Arrependimento não mata, mas quase, ele fica aqui, martelando, martelando, passa tempo, e volta e meia ele aparece, e continua martelando, martelando, e meia volta, e não se esquece, e ele prossegue martelando, martelando.

Mas todo esse desconforto é recompensado com o aprendizado adquirido, e toda a vez que ele aparece martelando nossa consciência, com erros do passado, como um passe de mágica, um assassinato de sentimento, abafamos-a com a certeza de que esse erro jamais será cometido novamente. Os erros de hoje provavelmente serão os acertos de amanhã.


* Não foi baseado na obra Arrependimento Mata de Evandro Berlese (foto), que felizmente, trata do assunto de uma forma muito engraçada e com outro enfoque. Fica a dica de leitura, garanto boas risadas.
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